Direito Trabalhista

Acidente de trabalho: quais são os direitos do trabalhador?

Acidente de trabalho é o que acontece durante o serviço e causa lesão ou perda da capacidade de trabalhar. A lei vai além do acidente óbvio: também entram o que acontece no trajeto entre casa e trabalho e as doenças causadas pela própria atividade, como lesões por esforço repetitivo e perda de audição por ruído.

Homem sentado à mesa da cozinha de casa, com o pulso imobilizado por uma tala.

Os três tipos que a lei reconhece

Acidente típico. O que ocorre no exercício do trabalho: queda, corte, esmagamento, choque, queimadura.

Acidente de trajeto. O que acontece no caminho entre a residência e o trabalho, ou na volta, independentemente do meio de transporte.

Doença ocupacional. A que se desenvolve por causa da atividade ou das condições em que ela é exercida. Costuma aparecer aos poucos: tendinite, hérnia de disco, perda auditiva, problemas respiratórios, adoecimento mental ligado à rotina de trabalho.

A doença ocupacional é a mais deixada de lado, porque não tem a data marcada de um acidente. Ainda assim, a lei a equipara ao acidente de trabalho.

A CAT e por que ela importa tanto

A CAT, Comunicação de Acidente de Trabalho, é o documento que registra oficialmente o ocorrido. A emissão cabe à empresa, e o prazo é até o primeiro dia útil seguinte ao acidente. Em caso de morte, a comunicação é imediata.

A CAT é o que faz o caso ser tratado como acidentário, e não como doença comum. Essa diferença muda o benefício, muda a estabilidade e muda o depósito do FGTS durante o afastamento.

Se a empresa não emitir, você não fica sem saída. A lei permite que a CAT seja emitida pelo próprio trabalhador, por familiar, pelo médico que atendeu, pelo sindicato ou por autoridade pública. A falta de emissão pela empresa não retira o direito.

Estabilidade de 12 meses

Quem sofre acidente de trabalho e fica afastado recebendo benefício acidentário tem direito à estabilidade de 12 meses no emprego, contados a partir do retorno. Nesse período, a dispensa sem justa causa é vedada.

Essa é uma das garantias mais desconhecidas, e uma das razões pelas quais o registro correto do acidente faz tanta diferença.

O que muda no benefício do INSS

Quando o afastamento passa de 15 dias, o trabalhador é encaminhado ao INSS. Aqui aparece a diferença que a CAT provoca:

  • Benefício por incapacidade comum: para afastamentos sem relação com o trabalho.
  • Benefício por incapacidade acidentário: quando há relação com o trabalho. É o que garante a estabilidade de 12 meses e o depósito do FGTS durante o afastamento.

Os primeiros 15 dias são pagos pela empresa. A partir do 16º, o pagamento passa ao INSS, mediante perícia.

Quando o INSS não reconhece a relação com o trabalho, ou nega o benefício, existem caminhos para discutir a decisão. Explicamos o que fazer diante da negativa na página sobre benefício negado.

Quando a empresa também pode responder

Além do benefício previdenciário, a empresa pode ser responsabilizada quando o acidente decorre de falha dela: falta de equipamento de proteção, ausência de treinamento, máquina sem manutenção, jornada excessiva.

Nesses casos, a lei prevê a possibilidade de reparação, analisada pela Justiça do Trabalho conforme as provas e as circunstâncias. São coisas distintas: o benefício do INSS não exclui essa discussão, e uma coisa não substitui a outra.

O que reunir

  • cópia da CAT, se emitida;
  • atestados, laudos, exames e receitas, guardados em ordem de data;
  • prontuário do atendimento de emergência;
  • fotos do local, do equipamento ou da lesão;
  • nomes de quem presenciou;
  • comprovantes de entrega de EPI, ou o registro de que não houve entrega;
  • boletim de ocorrência, no caso de acidente de trajeto.

Perguntas frequentes

Me machuquei indo para o trabalho. Conta como acidente de trabalho?

Em regra, sim. O acidente de trajeto é equiparado ao acidente de trabalho. Guarde o boletim de ocorrência, o atendimento médico e o registro do horário, que ajudam a demonstrar o percurso.

A empresa se recusou a emitir a CAT. E agora?

A CAT pode ser emitida pelo próprio trabalhador, por familiar, pelo médico, pelo sindicato ou por autoridade pública. A recusa da empresa não impede o registro, e ela própria pode responder por não ter cumprido o dever.

Minha tendinite veio do serviço, mas não teve acidente nenhum. Vale?

Pode valer. Doença desenvolvida por causa da atividade é equiparada ao acidente de trabalho. O elemento central é demonstrar o nexo entre a doença e a função exercida, o que costuma ser feito com laudos e com o histórico de atividade.

Posso ser demitido durante o afastamento?

Durante o afastamento com benefício, o contrato fica suspenso. E quem retorna de benefício acidentário tem a estabilidade de 12 meses. Se a demissão acontecer nesse período, ela pode ser questionada.

O INSS negou dizendo que não tem relação com o trabalho. Acabou?

Não. A negativa pode ser discutida, tanto na via administrativa quanto na judicial. Laudos, histórico da função e a CAT são elementos centrais nessa discussão.

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Conteúdo revisado por Dra. Priscilla Barbosa — OAB/SP 187.997 · agosto de 2026.

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